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quinta-feira, 10 de setembro de 2009

A CRENÇA UNIVERSAL NA REENCARNAÇÃO (6): CRISTÃOS


'"Por que dizem, pois, os escribas que Elias deve vir primeiro?", ao que Jesus respondeu "Elias certamente há de vir, e restabelecerá todas as coisas. Digo-vos, porém, que Elias já veio, e não o reconheceram, antes fizeram dele o que quiseram". Então os discípulos compreenderam que lhes tinha falado de João Batista.'(Mateus, 17:10-13)

Segundo a maioria das pessoas sabe, a Igreja Católica, as Protestantes e os neo-Pentecostais costumam rejeitar a noção de reencarnação. O que a maioria das pessoas ignora, porém, é que historiadores isentos são quase unânimes em afirmar que os conceitos de reencarnação foram “apagados” dos textos cristãos no II Concílio de Constantinopla, em 553 d.C., sob influências do Imperador Justiniano, o que a Igreja Católica nega veementemente, alegando nunca ter tratado deste assunto e sim apenas condenado a pré-existência da alma.

Segundo fontes históricas, Justiniano era influenciado por sua esposa Teodora, filha de um guardador de ursos do anfiteatro de Bizância, que como ex-cortesã convertida ao catolicismo, tinha medo de ter que pagar em outra vida pelos pecados desta, influenciando assim seu marido que também passou a temer reencarnar como um homem comum ou pior: um escravo. Justiniano declarou verdadeira “guerra” aos ensinamentos do exegeta e teólogo Orígenes (185-235 d.C.) que reconhecia abertamente o conceito da reencarnação, e convocou o Concílio, de onde só participaram 164 bispos, sendo que 159 eram da Igreja Ortodoxa Oriental, diretamente influenciados por Justiniano, o que garantiu a ele os votos necessários para fazer o que ele quisesse. Vale salientar também que, embora estivesse em Constantinopla, sob a “proteção” do Imperador, não foi o Papa Virgílio quem convocou o Concílio, sendo a ele apenas submetidos alguns documentos para ratificação papal, o que acabou validando a reunião.

É praticamente um consenso entre pesquisadores e historiadores fora do ambiente católico, que os atuais textos da Bíblia foram tremendamente adulterados ao longo dos séculos, o que acaba gerando críticas e uma verdadeira “guerra santa” de erudição teológica. Ainda assim, espíritas citam diversos trechos das Sagradas Escrituras para validarem seus argumentos. Passagens como: Isaías, cap. XXVI, v.19: "Aqueles do vosso povo a quem a morte foi dada viverão de novo; aqueles que estavam mortos em meio a mim ressuscitarão". Ou ainda: Job, cap. XIV, v.10 a 14: "Quando o homem está morto, vive sempre; acabando os dias da minha existência terrestre, esperarei, porquanto a ela voltarei de novo". Tendo também clara referência à reencarnação em: S. Mateus, cap. XVI, v.13 a 17 - S. Marcos, cap. VIII, v. 27 a 30: "... porque uns diziam que João Baptista ressuscitara dentre os mortos; outros que aparecera Elias; e outros que um dos antigos profetas ressuscitara...". Entre diversos outros. É claro que os modernos teólogos católicos alegam que estas passagens são sempre citadas fora de contexto ou ainda sujeitas a diversas interpretações. Os teólogos protestantes e neo-pentecostais, religiões que surgiram muitos anos depois, costumam assumir também a visão herdada da Igreja Católica.


É fato, porém, que na antiguidade, diversos teólogos da Igreja levantavam também essa questão. Alguns acreditavam que passagens do Velho Testamento só poderiam ser explicadas à luz da crença na reencarnação. Em favor da teoria reencarnacionista, São Gregório, Bispo de Nissa, afirmou que "a alma precisa purificar-se e isso não acontecendo durante a vida na Terra, deve ser realizado em outras vidas futuras". Santo Agostinho, no seu livro Confissões, chegou a interpelar a si mesmo: "Não vivi em outro corpo antes de entrar no ventre de minha mãe”? São Clemente, de Alexandria, também era adepto fervoroso da teoria da reencarnação e isso pode ser facilmente encontrado em muitos de seus escritos. E para finalizar, Orígenes, que foi seu discípulo e herdou sua cadeira na escola catequética alexandrina, sábio cristão e mestre da Igreja até ser declarado herege por Justiniano, dizia: "Todas as almas chegam a este mundo fortalecidas pelas vitórias ou debilitadas pelas derrotas de uma vida pregressa. O seu lugar neste planeta é determinado por seus méritos ou deméritos do passado".


Para quem quer saber mais:
O Mistério do Eterno Retorno - Jean Prieur
Reencarnação, O Elo Perdido do Cristianismo - Elisabeth Clare Prophet
Bíblia Sagrada de acordo com a Vulgata Latina



A seguir: A CRENÇA UNIVERSAL NA REENCARNAÇÃO (7): JUDEUS